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@tibianchini há 10 meses
Público
IMPRESSÃO Todos os dias são cinzentos Numa cidade de pedra e chão Todos se escondem da poluição Filhos da solidão Caras pobres em carros ricos Caras ricas num lotação Carros e caras são iguais: Apenas mais uma identificação. Cai a penumbra; nasce a planta Longe do olhar do tecelão, Que vai servir, no frio, de fio De algodão Tudo passa por nós Tudo cabe em nossa voz Mas não há sons no ar Que possam acordar a multidão Vidas que atravessam a rua Vidas que somem numa estação Vidas são as mesmas Em qualquer situação “Amar a todos” talvez não baste Para escapar da tenebrosa guerra - Mas o que acontece com esse amor Quando, das cinzas, surge um novo sentimento Talvez até mais poderoso Talvez um novo amor Ou uma nova forma de amar Um dia o Sol virá Um dia o Mar virará Toda lágrima que puder derramar Um coração Esmola ao cego, que empresta Alheios olhos de um cão; E tem, na rua, a sua cama De pedra e chão. Esmola ao pobre, que ‘inda vive De sonho e de pão... Amar a todos talvez não seja A solução. Pálidos, anônimos Pardos, pobre da Nação, São a parte bela Da população Todos os dias são cinzentos: O sol não vem quebrar A escuridão.

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