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@tibianchini há 10 meses
Público
Todos os Fenômenos da Natureza O que existe agora é a chuva; A vontade da água. O que existe é esta falta de escrita, E esta escrita mal-escrita, que por ora, Tento enganar, dizendo ser poesia. Existe no ar o sucesso de sonhos impossíveis E desejos secretos; existe Toda a tarefa útil que não hesitarei Em deixar para fazer outro dia Que, até, quem sabe, possam ser amanhãs... O que existe agora é a noite, Pairando sobre todas as coisas que nos são Inanimadas; E, do que ainda resta para a chuva lavar, Não há nada tão puro que esta misericórdia não mereça. O que há agora é efêmero; Como um relâmpago que vem de surpresa: Por mais que os admiremos, por mais que nos encante, Não tornaremos a ver de novo a sua luz. Nada há de novo; bastam as coisas velhas Que nem mesmo conhecemos e já nos cansamos; Basta este descobrir contínuo de novas tonalidades Para cores já tão antigas e apagadas.  Nada há além do que sempre existiu; Nada além do que sempre esteve diante dos nossos olhos E não soubemos enxergar; E algo novo se faz desnecessário, Quando tanta coisa ainda está implícita. Há uma brisa que corre para todos os lados Sem ser vista; há as folhas que caem das grandes oliveiras Para serem devoradas pelos insetos Ou para secarem e perecerem na infimidade das suas almas. Não obstante, existe uma vida solta; Um passado que não compromete Nem tampouco glorifica E ainda existe uma gloria incrustada em cada gota. Há o que a chuva não dissolve; há o êxito Que seca na argila o pesar de suas pegadas Para que possas caminhar por entre os ínfimos Que, pela chuva, as tiveram apagadas.

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