@purapoesia
há 11 meses
Público
sinto muito, apesar de tudo
sentir é uma alforria
ante o açoite diário
os donos do mundo
vetam o afeto
sê frágil feito vidro
caco fere se preciso
sê límpido feito vidro
peito aberto, sangria
batimento em galeria
inda não somos ossos
é frágil a pedra, o aço
é forte a pétala, a água
a rosa desarma a bomba
a nascente não desanda
deixa escorrer teu sangue
vence a sede vampírica
vence os hematófagos
deixa o rubro inundar
tu, o outro, a metrópole
a seda cortine os entulhos
os monolitos titãs matando apolo
inda há afrodites, apesar de tudo
inda há cores britando
escorra o rio sal
horizonta o branco
foz na face
erupciona se couber
escreve carta cursiva
cola dois verbos
põe em ti a peça
restante
fuja da carne
toda a flora
desmatada
toda a fauna
enjaulada.
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