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@eduliguori há 1 ano
Público
O que será dessa vez o relógio já marca mais de uma da manhã a goteira persistente irrita os nervos o barulho da chuva lá fora molha os intestinos pega a seda, enrola um cigarro e fuma a cama foi abandonada, está de novo sobre o teclado não tem absolutamente nada para dizer apenas precisa escrever sem razão aparente o sono não vem os minutos passam juntos com os carros a garganta arranha a fumaça já exagerada a luz amarela do abajur e vermelha do computador Espanha não, nada de espanhol só o lençol bagunçado a mente ansiosa, entediado de mais uma noite longa e molhada os poetas não dormem bebe mais um copo d'água outro trago e o silêncio misturado com o maldito som da goteira outra noite igual a tantas outras a mente que trabalha um verão e atrapalha o sono frio do dono destas palavras sem sentido não sabe como encerrar o poema já deu boa noite há muito tempo engole seco o pigarro amargo coça a cabeça vazia de ideias esqueça, só mais um anoitecer de poeta e os poetas não dormem falecem Edu Liguori

Comentários (1)

@MarU · há 1 ano
Poetas sempre insones! Necessários. 👏👏👏
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