“Se a língua cria a realidade e a poesia cria a língua, quem cria
a poesia?” A pergunta do filósofo Vilém Flusser pode canalizar
a obra de Ellen Kassavara como uma resposta possivelmente
honesta. Em tempos contemporâneos e fragmentados, Papi-
las se destaca por ser um livro d...
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🏆 Ranking de Leituras
Leituras Totais desta Obra43
Leitores Únicos1
Posição desta obra
#124
#1Bergmann5.772
#2Pela estrada à fora5.422
#3A barreira de AlDahin4.964
#4Outras Primeiras Pessoas De Amor E Guerra4.915
#5O Túnel do Tempo1.888
#6Princesinha do Papai1.749
#7Senhor das Cores e Símbolos - O Grande Livro das Raças1.643
#8AS PROEZAS E TRAVESSURAS DE LDANZIM1.607
#9SE EU TIVESSE ASAS1.505
#10Próxim Estação1.451
Posição em poesia
#12
#1Outras Primeiras Pessoas De Amor E Guerra4.915
#2O Mar que Navega o Barco544
#3Vida e Amor Sonetados289
#4VERDADES COTIDIANAS99
#5em nome do amor91
#6SOL DO AMANHÃ88
#7A moça que escapou pelas palavras77
#8A Dor Em Meus Olhos71
#9Caderno Autopoiético70
#10Pequenos Detalhes68
Descrição Completa
“Se a língua cria a realidade e a poesia cria a língua, quem cria
a poesia?” A pergunta do filósofo Vilém Flusser pode canalizar
a obra de Ellen Kassavara como uma resposta possivelmente
honesta. Em tempos contemporâneos e fragmentados, Papi-
las se destaca por ser um livro de poesia avesso à representa-
ção dominante e a todas as formas de padronização da escri-
ta, o que é surpreendente se imaginamos uma escritora tão
jovem como a Ellen Kassavara. Em meio a palavras arrojadas,
eis a resposta: “o palato é o lugar do poema/onde descansa a
minha língua/e a sua/todas as línguas/todas as mulas”. Esta-
mos diante de um livro escrito sob o signo da ruptura, atra-
vés de uma textualidade não linear e não sequencial: “quase
vomito no carro e em casa/não corro pro banheiro, vomito
nas mãos/vou pra sala e digito o poema/faço qualquer coisa/
parecer um insulto/inveja e autopiedade e ira/é só desejo”.
A preferência é pelo mosaico, pelas imagens de vida coti-
diana, habilmente coladas aos mundos sombrios de mentes
inquietas. Papilas é descontinuidade ácida, é experiência da
metamorfose, é vibração do que é vivo e do que é morto, é
política, é decolonial. O mundo evocado por Ellen é o nosso
mundo com os problemas de fundo que o fazem tal como ele
é. A jovem autora não pretende nesta obra encontrar o leitor
abstrato, ideal, colonial. Ellen escreve para leitoras e leitores
em estado de abertura, em meio a caminhos transitáveis e
divergentes. Por meio dessa escrita-caminho, Ellen abre, no
real da vida, gestos tomados de dom poético, inclui o feio, o
azedo, o soco no estômago, a lágrima nos olhos. A quem qui-
ser entrar em contato com poemas de desencaixe, este é o
livro exato; não é sobre uma forma estética alheia à realidade.
Papilas se volta contra o artifício, e, por conseguinte, contra
as narrativas do mundo, e suas verdades. É escrita-caminho
como convite aberto: “não sei em qual língua me encontro/
se tenho pelos ou papilas/penugens ou pupilas/sozinha a lín-
gua/dá nó/engasga/enrola/se contorce/só não cai pra fora/
porque trabalha sozinha”.
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